quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sepultura


Se por noite cheia de assombros
Um bom cristão, todo apiedado,
Enterra sob velhos escombros
O teu corpo tão celebrado,

Na hora em que as límpidas estrelas
Cerrarem seus olhos sonolentos,
A aranha que fará as teias
E a víbora fará os seus rebentos;

Ouvirás, toda a temporada,
À tua fronte condenada,
Uivos de lobo em solidões

E os dos feiticeiros famintos,
E os dos velhos cheios de instintos
E o vil conluio dos ladrões.
(Charles Baudelaire)

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